Em 25/12/2018, foi publicado na Gazeta do Povo um artigo de minha autoria, intitulado “Prossumidores de Energia”. Pelos comentários sobre o artigo no website do jornal, percebe-se que eles foram de autoria de pessoas céticas a respeito da expansão das energias geradas e utilizadas pelo próprio consumidor. Alguns disseram que “isso só ocorrerá se as concessionárias permitirem”. Será?

Em 2014, o Uber começou a operar no Brasil. Por oferecer uma atividade análoga aos táxis, mas ‒ ao cobrar menos que carros de empresa tradicional de frota ‒ o Uber despertou preocupação e críticas do serviço de táxis. É comum que o trabalho de taxista seja regulamentado por algum órgão do governo, com licenças que podem custar caro. No entanto, apesar do descontentamento que perdura até hoje, o Uber se estabeleceu.

A população costuma ficar dividida quando há uma substituição de empregados por tecnologia. É o caso dos cobradores de ônibus em Curitiba. A proposta enviada pela Prefeitura Municipal à Câmara de Vereadores permite exclusividade da bilhetagem eletrônica em todo o sistema. A medida visa a oferecer mais agilidade ao transporte coletivo, além de aumentar a segurança para passageiros e trabalhadores do sistema: conforme a mensagem enviada, o pagamento das passagens de forma eletrônica deve reduzir em 90% o número de assaltos aos veículos do transporte. Mais cedo ou mais tarde, a mensagem passará.

Segundo Diamandis e Kotler, há questões que não poderão ser evitadas. Não demorará muito até que os robôs constituam a maioria da força de trabalho industrial no cenário da Indústria 4.0. Não será fácil para os seres humanos concorrer com os robôs: eles trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana, não ficam doentes, não cometem erros, não entram em greve e não recorrem à justiça do trabalho; sequer tomam um porre no domingo à noite e vêm trabalhar de ressaca na segunda-feira pela manhã.

Certamente haverá empresas que continuarão empregando os seres humanos, mas é difícil imaginar um cenário em que estes permaneçam competitivos por muito tempo. Portanto, o que será dos trabalhadores com a adoção de novas tecnologias?

É uma pergunta de difícil resposta, porém deve-se lembrar que essa não é a primeira vez que a tecnologia modificou o cenário dos empregos. A automação no campo, por exemplo, alterou radicalmente a questão dos empregos nas regiões rurais. E o que aconteceu com os empregos agrícolas que foram eliminados pela tecnologia? Os antigos empregos de baixa qualificação deram lugar a novos postos de qualificação maior, e a força de trabalho foi treinada para assumi-los.

É dessa maneira que acontece o progresso. Em um planeta de especialização crescente, precisamos estar em constante renovação. Os seres humanos têm sistematicamente demonstrado uma capacidade de encontrar atividades novas e mais valiosas para executar, toda vez que os empregos passaram a ser terceirizados ou automatizados pela tecnologia. É fato que a Revolução Industrial, as tarefas terceirizadas de informática e a força de trabalho mais barata da China acabaram criando mais empregos originais do que os empregos eliminados.

Queremos comida, roupas, habitação e tudo mais que o dinheiro compra. Mas será que todos ainda desejam só empregos? Já estamos vivendo uma economia em que a meta não é mais o emprego, mas a geração de renda a partir de projetos inovadores – basta ver o boom das startups.

As colocações de trabalho que possam ser automatizadas correm sempre considerável risco. O desafio da sociedade é continuar avançando e se erguendo para posições mais elevadas. Cada vez mais, precisamos criar atividades novas que usem a criatividade humana em vez de mão de obra humana.