Diariamente somos bombardeados pela imprensa com notícias sobre como empresas estão usando novas tecnologias para melhorar resultados. Uma sopa de letrinhas invade a cabeça dos executivos das empresas, RPA, IA, ML, etc., todas com uma receita mágica de soluções para problemas empresariais.

Este grande volume de informações, sempre mostrando grandes resultados, cria uma pressão enorme dos acionistas sobre os executivos querendo melhores resultados empresariais.  Ato contínuo as empresas começam a criar programas, estruturas organizacionais, contratação de consultorias, compras de ferramentas, muitas vezes sem a devida profundidade que a introdução de novas tecnologias no processo empresarial merece. Mas o importante é que a empresa está fazendo algo. Já temos o que apresentar para os acionistas.

Acontece que quanto maior a pressão por competitividade maior é o desejo de velocidade e aí mora o perigo. Ações muitas vezes desconexas do mercado, planejamento e cultura principalmente começam a aumentar os custos com tecnologia sem alcançar os resultados pretendidos.

O foco em geral é a aquisição de ferramentas, como se isto por si só bastasse para inserir a empresa em um novo patamar de resultado. É como se quisesse deslocar rapidamente entre uma cidade e outra e comprasse um avião a jato último modelo. Ótimo, mas e a estrutura para suportar o avião e o piloto? Da mesma forma a pergunta para as novas tecnologias: quem vai pilotar?

Não há duvidas que se bem planejadas, as iniciativas de uso de novas tecnologias nas empresas podem agir principalmente em quatro frentes: Otimização dos custos operacionais, melhoria do atendimento a clientes, melhoria na gestão e criação de novos modelos de negócios.

A otimização de custos vem com a possibilidade de automação completa dos processos de negócios usando ferramentas como RPA, Geo Processamento, SCM, VR, dentre outras.

Na melhoria de atendimento a clientes as novas ferramentas podem realizar a customização de massa melhorando canais de atendimento e ofertas customizadas usando bots, IA, ML, software de reconhecimento de voz, etc.

Na melhoria da gestão é possível hoje ter uma visão completa e sistêmica de todos os resultados da empresa em tempo real, realizando analise dos dados passados e realizando previsões futuras baseadas em cenários. Neste contexto as ferramentas usadas de BI, BA são muito utilizadas.

A criação de novos negócios talvez seja a cereja do bolo. O conhecimento profundo do mercado com o uso de analise avançada de dados, gerando informações relevantes para a Diretoria Executiva, podem levar a criação de novos modelos de negócios potencializando o conhecimento que a empresa tem do mercado.  Ferramentas de BI, BA, Big Data são muito utilizadas neste contexto.

Agora, é importante novamente frisar que não adianta ter um avião moderno para voar. Primeiramente tenho que saber onde quero ir, depois saber se realmente é o avião que eu preciso ou devo usar. Será que a cidade onde quero chegar tem aeroporto? Posteriormente preciso de um piloto capacitado para realizar o voo, capaz de realizar o plano de voo, entender dos limites da aeronave, funcionamento, etc.

No que concerne à introdução destas novas tecnologias a questão é a mesma. Precisamos ter um planejamento que responda claramente o porquê da adoção de um tipo de tecnologia e onde aplicar. E só isto não basta, temos que ter pessoal qualificado para sua implantação e manutenção. E no caso de uma terceirização, temos que ter alguém que consiga especificar e acompanhar a implantação pelo contratado. Mais uma vez, como nas maiorias das implantações de novas tecnologias, o ponto crucial é o ser humano. Se não houver uma boa definição o programa/projeto fracassará independentemente de termos as melhores ferramentas de mercado. Ferramentas são apenas um meio para atingirmos os nossos objetivos. A criatividade que impulsiona os resultados, ainda é uma função exclusivamente humana.

Falamos em robótica, IA e ML, mas a grande verdade é que no estágio atual da tecnologia quem faz a diferença ainda é o HOMEM.