Para a maioria das pessoas, a ideia de uma economia circular continua a ser um conceito abstrato e distante. Apesar da adoção de um estilo de vida sustentável ser um tema cada vez mais popular, muitas pessoas ainda não estão conscientes das grandes mudanças que serão introduzidas no nosso estilo de vida, de modo a assegurar um futuro sustentável e o nosso bem-estar a longo prazo. Atualmente, a forma como utilizamos os recursos não é sustentável. Consumimos e extraímos mais matérias-primas do que aquelas que o nosso planeta consegue oferecer a longo prazo. Em 2050, haverá entre 6 e 7 bilhões de consumidores com poder de compra que exercerão uma pressão adicional sobre o consumo e o meio ambiente. Os nossos atuais estilos de vida exigem uma conveniência e comodidade crescentes, que têm os seus custos. Se analisarmos, por exemplo, a questão da utilização dos plásticos, vemos que a reciclagem é deficiente e muitos produtos de plástico acabam nos oceanos e mares, causando danos significativos.

Vislumbram-se sinais de uma consciencialização pública crescente acerca do problema, onde novos planejamentos políticos irão mudar substancialmente a forma como produzimos, consumimos e vivemos. Estas ações envolvem respostas sistêmicas integradas com uma perspectiva de longo prazo.

No final de 2015, a Comissão Europeia adotou um pacote legislativo da economia circular, que constitui a resposta da Europa a essa problemática. O pacote contempla diferentes fases do ciclo de vida de um produto, desde a fabricação e consumo, à gestão dos resíduos. As ações propostas visam beneficiar tanto o meio ambiente como a economia, bem como assegurar a manutenção e valorização dos materiais durante o máximo de tempo possível no ciclo econômico, diminuindo os resíduos, promovendo a economia de energia e reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

A transição para uma economia circular ajudará a aliviar os problemas ambientais e de saúde humana causados pela atual economia linear baseada no «produzir-consumir-descartar». No entanto, serão necessárias grandes mudanças nos sistemas de produção e consumo, que vão muito além da eficiência na utilização dos recursos e da reciclagem dos resíduos.

Para tornar a economia circular uma realidade, é fundamental desenvolver conhecimento, monitorar o progresso e garantir que os responsáveis políticos dispõem dos dados e da informação de que necessitam para orientar o desenvolvimento de políticas de apoio flexíveis.

Todos temos um papel a desempenhar no apoio à transição para uma economia circular. É fundamental termos acesso à informação certa e a soluções adequadas para proceder a grande transição. O que parece claro é que se a inovação não for firme e enfática, bem como não existirem tecnologias para acelerar essa transição para uma economia circular e de baixo carbono, tal não acontecerá.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal n° 12.305/2010) trouxe alguns instrumentos que contribuem para o início desse processo: a logística reversa é um deles.

Definida como um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada, ela pode ser considerada uma novidade para o setor, porém é vista com certa desconfiança pela cadeia produtiva, isto é, por quem deve colocá-la em prática.

Assim, precisamos estar atentos a transição citada anteriormente e os novos instrumentos legais existentes.