Por que inclusão social?

Porque é o nosso maior desafio, o nosso maior problema a nível mundial.

A população carente cresce exponencialmente enquanto os providos se mantém.

Não existe como vivermos em paz envoltos em um ambiente tão pequeno como se tornou o planeta terra, se não encontrarmos soluções para a inclusão daqueles que representam um ônus econômico e uma pendência moral e ética de toda a sociedade.

Metade da população mundial vive à margem do auto-sustentabilidade econômica.

Enquanto isto, estamos orbitando à realidade com veículos autônomos, robótica, automação e redução de postos de trabalho, tudo em nome do progresso e da economia.

No Brasil somos 12 milhões de desempregados formais e talvez outro tanto de desocupados informais. Somos 50 milhões de analfabetos funcionais. Metade da população em idade economicamente ativa está inativa ou sub utilizada. Quantos recursos, quanta energia, quanta vida desperdiçada.

Não há dúvida de que a inclusão social é o maior desafio deste século.

Por que mobilidade?

A nefasta, crescente e alarmante migração para os centros urbanos e a consequente diminuição da população agro-rural faz com que tudo o que se produz em um lado tenha que se deslocar muito até onde é consumido. As cidades onde concentra-se o consumo estão cada vez maiores a mobilidade cada vez pior. O custo de transporte é altíssimo e cada vez fica maior em relação ao valor dos produtos. O tempo de vida gasto com os deslocamentos é cada vez maior.

Mas, sabiamente, tempo não se compra com dinheiro.

Ou seja: sem locomoção não há solução.

Antigamente, quem produzia era também o próprio consumidor ou o vizinho de quem consumia. As comunidades eram mais auto suficientes e assim menos importante era a mobilidade. Hoje vivemos totalmente dependentes dela.

Se não houver mobilidade ,seja de longa como de curta distância, mais de 70% da população do mundo padecerá de fome.

Perdemos precioso tempo de vida tentando chegar a algum lugar. Gastamos boa parcela dos nossos ganhos para nos locomover.

A pessoa humilde que não tiver emprego de carteira assinada, não tem como suportar seus custos de transporte mesmo que seja o público. O transporte público não permite que ninguém leve produtos para vender e nem ferramentas para trabalhar.

Atualmente, a metade da população economicamente ativa no Brasil está imobilizada e na dependência de favores daqueles que geram renda. Milhões estão ou viciados ou envergonhados por falsos programas de inclusão social baseados em assistencialismo permanente, que conduzem o pobre como massa de manobra para currais eleitoreiros induzidos pelo voto obrigatório.

Hoje no Brasil adotamos modelos, normas e meios de transporte coerentes com os países super desenvolvidos do hemisfério norte cuja pirâmide sócio-econômica é predominantemente de médio e alto poder aquisitivo e de meia a avançada idade. Ou seja, as soluções que adotamos para a nossa mobilidade, nada têm a ver com a nossa realidade e com as reais necessidades da nossa população.

Temos as motocicletas que custam muito, poluem muito, matam muito e transportam pouco. Também temos, os automóveis de passeio e os utilitários que custam muito, gastam muito, congestionam muito, poluem muito, ocupam muito espaço, sendo que normalmente 92% dos carros nas cidades levam apenas uma pessoa.

Se formos brincar um pouco, porém falando muita verdade, para apenas garantirmos o nosso café da manhã, precisamos deslocar 1500 kgs de ferro para levar 100 kgs de gente “fortinha como eu”, para comprar 300 gramas de presunto e queijo, percorrendo no máximo 6 kms e gastando até 1 hora neste trajeto.

Fica fácil perceber que no Brasil, não temos nada entre uma moto e um carro. Não temos, realmente, o que precisamos. Seja para as necessidades básicas de mobilidade daqueles que tem renda e menos ainda para livrar da imobilidade social e econômica, grande parte da nossa população. Isto é gravíssimo e estagnante.

Porque eletro-mobilidade?

Bom esclarecer que ao falarmos de eletro-mobilidade não estamos nos referindo a automóveis elétricos que custam mais que os a gasolina porque não existe um programa coerente de governo que os incentive. O carro elétrico no Brasil ainda é para quem está longe de ter problema de inclusão social. O carro elétrico também não resolve a questão de trânsito e nem de espaço de estacionamento.

Quando nos referimos à eletro-mobilidade estamos falando nos veículos leves, para transporte de pessoas e de cargas que custam perto do valor de uma moto mas levam até 5 pessoas ou 800 kgs de carga.

Estes simples e geniais veículos foram os propulsores do maior milagre social e econômico da história da humanidade.

Através da eletro-mobilidade os asiáticos colocaram na coluna de crédito da economia quase 1 bilhão de pessoas anteriormente inativas. Estamos falando dos Tigres Asiáticos, países muito pobres e arrasados de guerra que mostraram ao mundo como de uma maneira simples, rápida e acessível é possível proporcionar à população condições para agregar valor à economia , transportando produtos ou pessoas, realizando o trabalho de distribuição de gêneros e ainda abrindo a possibilidade para criar inúmeras modalidades de micro negócios móveis nas áreas de alimentação, comercio e prestação de serviços em domicílio.

A eletro-mobilidade por veículos leves, de baixo custo, proporciona a liberdade e o acesso à auto sustentabilidade econômica que é de fundamental importância para a autoestima das pessoas e o progresso da nação.

O brasileiro não precisa de assistencialismo. Precisam de oportunidade para se inserir na sociedade como elemento economicamente ativo. É necessário  construir uma sociedade saudável, baseada em inclusão social  de sorte  que o ser humano possa agregar valor e ser remunerado por mérito e não em modelos desenvolvimentistas incoerentes com as nossas condições e muito menos naqueles voltados ao assistencialismo permanente.

Criamos a Associação Recicle a Vida que foi nomeada como um dos melhores programas de inclusão social do país. Trabalhamos com os segmentos que encontram maior dificuldade de inclusão social. São os egressos do sistema penitenciário, os dependentes químicos, os moradores de lixões e os albergados. Através de acolhimento humano, formação e oportunidade de trabalho, provamos que se o brasileiro tiver sua chance, ele vai adiante e não precisa recorrer à marginalidade. Utilizando a eletro-mobilidade, apenas com a coleta seletiva domiciliar porta a porta de resíduos recicláveis é possível gerar R$ 2.200,00 por mês ou mais. Transformamos pessoas e resíduos que eram ônus em bônus para a economia e a sociedade.
Nosso modelo de inclusão social através da eletro-mobilidade já é um sucesso real cujo conceito nos levou a divulgá-lo em outras nações.

Além da coleta seletiva,  são inúmeras as possibilidades de geração de renda e redução de custos de deslocamento individual que a eletro-mobilidade proporciona.

Todo o processo se viabiliza quando apenas considerando-se o custo de transporte, somos capazes de reduzi-lo em 80% em relação ao convencional sem falar nos inúmeros outros benefícios que esta simplicidade veicular proporciona tanto para o indivíduo que precisa se locomover em direção ao seu ganha-pão, como para aquele que está na exclusão e precisa gerar renda própria.

A solução para os países ainda pobres como o Brasil está em incentivar mais oportunidades para micro-empreendedores.

O custo para se gerar um posto trabalho em uma empresa é 5 vezes maior do que para se dar a chance a um micro-empreendedor individual.

Com a eletro-mobilidade esta relação se torna  fartamente mais favorável.