Time algum consegue ganhar jogando apenas na retranca ou defensiva.

Elon Musk (47 anos) conseguiu fazer com que a empresa Tesla, Inc., em pouco tempo, chegasse a um valor de mercado na casa dos 50 bilhões de dólares, comparável em valor às  tradicionais Ford e GM. Ao tornar-se cofundador e CEO da Tesla, ele objetivou fabricar um carro elétrico melhor do que o movido a combustível fóssil. Assim, acabou produzindo um carro excelente! E não parou aí “a cornucópia de ideias do sr. Musk”: montou a SpaceX, para fabricar foguetes, e tem “projetos de geração de energia limpa, transporte público mais rápido, Internet onipresente” e outros, anotou um jornalista.

Quem joga na retranca opta por fazer apenas o mínimo necessário para sobreviver, copiando o que os outros estão inventando. Elon Musk não jogou na retranca. Ele partiu para um ataque cada vez mais arrojado. Reinventou a maneira como os carros são feitos, como os compramos e de que forma lidamos com eles em nosso dia a dia. Por se envolver com viagens espaciais, chegou a dizer: “Nossa ideia é tornar a humanidade uma espécie multiplanetária”.

Os carros da Tesla ‒ quatro modelos com design avançado ‒ alcançam altas velocidades, sendo dotados de muita tecnologia digital para o motorista e, ainda, produzem um impacto muito menor ao meio ambiente. Não se trata apenas de carros com algumas melhorias: tudo foi mudado embaixo do capô. O motor do Tesla é diferente, e muito menor a necessidade de manutenção. Além disso, a forma de comprar o carro é completamente outra: nada de concessionárias. Lojas próprias, inicialmente em shopping centers, fazem esse papel. As pessoas lidam com o abastecimento do carro de outra forma, além de contarem com manutenção diretamente via software, de forma semelhante ao que os upgrades fazem num programa de computador. Na verdade, Musk desenvolveu um computador sobre rodas e um modelo de negócios radicalmente diferente, disruptivo.

Hoje, se um concorrente desejar produzir um carro elétrico melhor, Musk já está muito à frente. Ele consegue conceber, alterar e adaptar novas soluções para o seu negócio com uma velocidade muito maior do que os outros fabricantes e montadoras de veículos.

No Brasil, ainda copiamos muito, em quase todos os setores. Se analisarmos a produção científica das nossas universidades e centros de pesquisa, constatamos que muito do que se produz é cópia, ou uma pequena alteração do que já se fez e publicou nos maiores centros científicos do planeta. Passamos a jogar na retranca: estamos apenas sobrevivendo, ao invés de partirmos para o ataque.

Tesla, Apple, Google, Netflix, Amazon e Salesforce são exemplos de empresas cujos dirigentes partiram para o ataque, sem qualquer receio de inovar: de propor e assumir soluções radicalmente diferentes.

O brasileiro é um povo notavelmente criativo. Em nossas instituições de ensino superior e centros de pesquisa há excelentes cérebros. Precisamos, somente, arriscar mais, ousar mais, estabelecer a cultura da coragem necessária para inovar.

Para o setor elétrico, será realizado o Seminário Disrupção na Energia, no mês de março de 2019, na cidade de Austin, no Texas, USA.  A companhia futuri9, que organiza o evento, contratou uma empresa americana de tecnologia, a GovernanceChain, para identificar projetos com elevado potencial de inovação no setor energético. No evento os participantes irão conhecer os projetos e formar um consórcio para o seu desenvolvimento. Inscrições no site futuri9.com.

O que se pretende é jogar no ataque, de forma arrojada, a fim de que o Paraná possa produzir inovações disruptivas para o setor de energia, que agreguem valor aos atuais produtos e serviços e passem a beneficiar os consumidores do país de maneira ainda não vista.