Tive a satisfação de trabalhar na redação da Lei 12.020, publicada em 9 de janeiro de 1998. Essa Lei instituiu o Fundo Paraná com a finalidade de apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado, nos termos do art. 205 da Constituição Estadual.

A Lei sempre foi uma grande reivindicação das comunidades acadêmicas, empresariais e de todos os que desejavam atuar em empreendedorismo inovador. A comunidade política, em todo o tempo, ambicionou sua promulgação por entendê-la como um excelente mecanismo para o desenvolvimento regional e setorial paranaense.

Agora, ao completar 20 anos, nota-se com tristeza que os 2% da receita tributária que alimentariam o Fundo Paraná não foram sempre repassados a ele. Dessa forma, o Estado tem deixado de ganhar em competitividade, não suprindo oportunidades suficientes de participação à sua comunidade acadêmica e aos novos negócios que poderiam ter sido gerados pela pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D+i).

Inovação na indústria paranaense

A falta de recursos e a pequena atenção à P&D+i nas indústrias paranaenses colocam o Paraná numa posição mediana na área de inovação. Em uma escala de 0 a 10, o Índice Paranaense de Inovação (IPrI) geral não chega a atingir o valor 6, de acordo com dados da Bússola da Inovação. O objetivo dessa Bússola é avaliar o cenário do desenvolvimento industrial do Paraná, a partir de investimentos em inovação, apontando caminhos. Trata-se de uma excelente ação, executada com mais de mil indústrias instaladas no Paraná, realizada anualmente pelos Observatórios da Indústria, organismo ligado à Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep-PR), responsável pelo respectivo levantamento, juntamente com o Centro Internacional de Inovação do Senai.

Curiosamente, falar sobre inovação é uma prática usual nas empresas, mas a Bússola da Inovação mostra que o exercício pleno, contínuo e efetivo dela, que demanda permanente interação com atores externos (instituições de pesquisa e ensino superior), poucas empresas paranaenses o têm realizado (é certo que algumas efetivamente o realizam!). Embora muitas empresas mencionem que executam atividades de P&D+i, poucas possuem equipe dedicada, poucas consideram-na alta prioridade e menos ainda executam procedimentos bem definidos para a geração do novo.

Um dos principais desafios é criar uma cultura de “inovação aberta” na indústria paranaense, e as startups podem ser vetores dessa transformação.

Inovação nas startups

O boom de criação de startups começou em 2012 e tem se intensificado graças a instituições que potencializam seu ecossistema, como coworkings, aceleradoras, centros de apoio ao empreendedorismo inovador e instituições de pesquisa e ensino superior.

Entre nós, elas estão ainda muito focadas em Curitiba e região, que concentram dois terços das startups paranaenses. O Norte do Estado ‒ regiões de Londrina e Maringá somadas ‒ representa cerca de 15% do total.

Em média, a faixa etária dos 25 aos 35 anos é a mais representativa. No entanto, essas pessoas usualmente recorrem a mentores mais experientes para ajudá-los no desenvolvimento dos trabalhos.

Uma boa notícia é o fato de que a crise econômica incentivou algumas indústrias a se abrirem para novas tecnologias, com vistas a se manterem competitivas no mercado. O fato fez surgirem algumas oportunidades para as startups com potencial para oferecer às grandes empresas uma redução de custos internos ou um aumento de receitas.

Inovação na academia

As nossas instituições de pesquisa e ensino superior são celeiros de bons cérebros e possuem professores e pesquisadores com elevada capacidade para a realização de P&D+i de qualidade. No entanto, algumas dessas instituições ainda possuem certa aversão a se aproximar de empresas e governos. Essa é uma mentalidade a ser alterada. O Paraná ainda possui problemas substanciais, como os de educação, segurança, saúde e infraestrutura, entre outros. É um desperdício não utilizar a força acadêmica que o Paraná possui para buscar soluções criativas e inovadoras, visando à solução das questões que nos atrasam ou à minimização desses problemas.

Paraná inovador

O Governador eleito, Carlos Roberto Massa Júnior, pautou sua campanha política na inovação. Assim, cevamo-nos hoje de otimismo com relação a um maior desenvolvimento no setor de P&D+i. O Fundo Paraná necessita ser capitalizado no montante mínimo estabelecido pela Constituição do Estado. As empresas, os governos e a academia devem se aproximar mais, num sistema de “hélice tríplice”, intercambiando experiências e estabelecendo parcerias ganha-ganha. É preciso incrementar ainda mais a capacitação voltada à inovação, para que as empresas possam lançar-se à busca do novo, a fim de gerar receitas adicionais, além de mais e melhores empregos. A rede estadual de pesquisa e ensino superior, que no Paraná é bem distribuída regionalmente, deve auxiliar mais o desenvolvimento de startups para maior interiorização desses empreendimentos, de acordo com as vocações de cada região. E é igualmente necessário estabelecer uma política paranaense de inovação, que considere esses fatores e seja mais agressiva e acessível a todos.