Um dos principais atributos do bom profissional de marketing é exercer uma apurada capacidade de adivinhação. Tal capacidade inclui saber prever os rumos que a sociedade está tomando e antecipar o seu comportamento, gostos e modismos; intuir e pegar “as coisas no ar” muito antes que os outros as percebam e, em posse deste material etéreo de informações subjetivas, preparar produtos, serviços e colocá-los disponíveis no mercado nas horas mais apropriadas.

É um jogo de astúcia e deve ser realizado a despeito do pedido, explícito ou não, dos consumidores ou clientes, porque normalmente eles não sabem o que querem ou não sabem explicar as suas vontades, isto é, verbalizar os seus desejos inconscientes. A maioria dos produtos de sucesso não foi solicitada por ninguém.

A capacidade de antecipar as jogadas comerciais exige acuidade constante para olhar os movimentos da sociedade e perceber seus caminhos e sutilezas. É como enxergar além da neblina, dirigir um carro num dia de intenso nevoeiro e adivinhar o que existe lá na frente.

Para fazer isso com competência, o marketing apropria-se descaradamente das várias especialidades do saber humano: economia, antropologia, sociologia e psicologia; das manifestações da arte com as suas expressões na música, teatro, literatura, cinema, artes plásticas e, pasmem, até das pesquisas de mercado. E quanto a estas, aprender a ler nas entrelinhas e captar aquilo que não está dito na obviedade dos relatórios. Ensinamentos que a raposa, personagem de “O Pequeno Príncipe”, já dizia sabiamente: – “O essencial é invisível para os olhos”.

Somadas a essas habilidades de adivinhadores, os profissionais do marketing devem também ter o olhar apurado sobre o presente, ficar atentos às circunstâncias e perceber sempre o que está acontecendo ao seu redor no exato momento dos acontecimentos, porque este olhar cristalino sobre o que se passa em volta vai permitir que com as ferramentas da criatividade possam realizar adaptações rápidas, precisas, tirando o máximo proveito das mudanças. E isso tem de ser realizado, justamente nos seus momentos mais apropriados. A onça quando dá o bote já viu tudo o que tinha que ver.

É tolice brigar com as circunstâncias ou amaldiçoar a necessidade de mudanças, já que elas são inevitáveis. Por isso a necessidade da eterna adaptação. Charles Darwin não disse que na natureza sobrevive o mais forte, mas, sim, o mais adaptado. E o profissional dos novos tempos não é mais aquele especialista dos anos 60, nem o generalista dos anos 80. A palavra que melhor o define, nos dias atuais, é: adaptabilidade.

E as empresas, como bons seres orgânicos, precisam saber reconhecer as mudanças, intuir as futuras viradas de mercado e saber tirar o melhor proveito delas. Viver de acordo com as circunstâncias é estar atento à realidade, manter o rumo na direção desejada fazendo as adaptações sempre que forem necessárias. E para fazer isso bem feito é preciso uma boa dose de criatividade, aliás, é daí mesmo que ela nasce.