A Economia da Oralidade é um campo de estudos interdisciplinares entre três domínios: a Economia, a Oralidade e a Comunicação, numa abordagem transdisciplinar.

A transdisciplinaridade abrange os vínculos que cada campo científico tem com o universo do som produzido pela voz humana, entre os quais: Antropologia, Filosofia, Linguística, Linguagem, PNL – Programação Neurolinguística, Acústica, Música, Canto, Fisiologia, Medicina, Psicanálise, Hipnose, Storytelling, Artes Cênicas, entre outros não menos relevantes.

As áreas do conhecimento elencadas são tratadas como insumo teórico e prático para viabilizar o desenvolvimento da Oralidade, preservando a integralidade e a independência de cada uma delas, guardando suas características e naturezas a que se destinam, dentro do princípio transdisciplinar.

A Economia da Oralidade, formulada com base na centralidade que a Oralidade tem no cotidiano social, constitui-se num fator socioeconômico nuclear na pós-modernidade, por intervir e interferir sistematicamente nas relações humanas.

Oralidade é uma modalidade do uso da língua. Ela está circunscrita no campo da Linguística.

O homem transmite ideias e sentimentos essencialmente através da fala, utilizando-se da linguagem oral, que é um bem natural, mas não é um processo inato. A oralidade é um bem social que se viabiliza nas interações sociais, diferentemente do letramento, que é um bem cultural, uma tecnologia.

Os estudos da linguística tratam contemporaneamente da teoria da continuidade, que afirma existirem níveis de gradação entre as duas modalidades de linguagem, a Oralidade e o Letramento – e não modos dicotômicos, como se concebia anteriormente.

Parte-se da premissa celular na Economia da Oralidade de que todo o dito causa mudança de comportamento e promove a alteração do consumo de bens e serviços, em níveis de experiência que vão do mais sutil, quase imperceptível, ao mais intenso, plenamente identificável. Essa premissa envolve evidências objetivas, sustentadas na estrutura matricial das Ciências Econômicas, capaz de estimular e viabilizar o compartilhamento e a transferência de capitais e ativos intangíveis, como insumo produtivo para atender às demandas de mercado, através do uso planejado da linguagem, como marco notório da cultura humana, para criar e recriar realidades, atribuir significados e ressignificados aos novos contextos e circunstâncias econômicas.

Compreende-se por capitais e ativos intangíveis todas as propriedades de indivíduos e corporações que, apesar de não serem tangíveis, são possuidoras de características perfeitamente reconhecidas, como marcas, estratégias de inovação, conhecimento, valores e princípios, incluindo a capacidade de comunicação com o mercado.

Esta área econômica contempla a Oralidade sob o enfoque da Teoria Econômica, dos Setores Econômicos, da Macroeconomia e da Microeconomia, dos Agentes Econômicos, dos Recursos Escassos, dos Insumos Produtivos, do Mercado, dos Fatores Econômicos.

Trata-se de um campo de estudos relevante para as novas relações empresariais, produtivas e mercadológicas, necessitadas do impulso gerado pela Oralidade.

Propósitos da Economia da Oralidade 

A Economia da Oralidade propõe-se a dimensionar a intervenção da Oralidade nos mais variados contextos e circunstâncias sob a perspectiva das implicações socioeconômicas, seja para o indivíduo, para empresas ou países, conforme as demandas dos consumidores, dos mercados, dos setores econômicos, tanto no âmbito da micro quanto da macroeconomia.

Isso nos permite asseverar que a Economia da Oralidade é uma área socioeconômica motriz, notadamente no âmbito da Nova Economia, capaz de transferência de capitais e ativos intangíveis, através dos processos dialógicos intercâmbios conversacionais, entre outros tantos âmbitos comunicativos e processos comunicacionais.

Por consequência, esta área econômica tem a capacidade trabalhar os elementos constitutivos de cada segmento da Nova Economia, gerando riqueza e valor agregado a partir da criação de novos significados e nexos às Economia da Informação, do Conhecimento, Criativa, e Comportamental, entre outros segmentos das ciências econômicas.

Considera-se, portanto, essencial valorar a intervenção da Oralidade em todos estes segmentos da Nova Economia, acentuando a fundamentalidade de uma perspectiva mais concreta, precisa e próxima possível da necessidade socioeconômica sobre uma área que trata da competência da expressão do pensamento projetado na forma de voz.

A etimologia nos elucida a relação da Oralidade com o significado da palavra “pessoa”. No latim persona, per (por) + sona (som). A palavra pessoa significa “o som passa por meio de”, referindo-se à voz humana.

A pessoa é, portanto, manifestada pelo som articulado que ela emite, expondo sua individualidade, identidade, personalidade.

A voz é a função do corpo que mais se expõe e a que mais nos expõe. Saber utilizá-la com excelência é uma importantíssima habilidade e um fator socioeconômico relevante nas relações pessoais e profissionais.

Pela contribuição da etimologia podemos afirmar que a voz é a principal marca pessoal, e é também nosso principal ativo econômico. É ela que responde pela nossa sustentabilidade. Por meio da voz somos identificados e nos identificamos com o mundo, disponibilizando ao mercado os nossos atributos pessoais e as nossas competências profissionais.

Por esta razão criar nossa marca vocal é, em primeira instância, essencial para a criação da nossa marca pessoal, o que é, por sua vez, se não essencial ao menos recomendável não somente para a nossa sustentabilidade, mas para o crescimento e desenvolvimento econômico da sociedade como um todo.

E é pelo conjunto das marcas pessoais economicamente ativas que alcançamos a máxima produtividade na Nova Economia, por intermédio do valor agregado dos capitais e ativos intangíveis.

Análise das etapas da Oralidade

Compete à Economia da Oralidade atuar na análise da produção, da distribuição e do consumo da Oralidade no âmbito da micro e macroeconomia.

Para a análise da produção da Oralidade sob a perspectiva econômica, necessita-se da estrutura da Linguística, constituída pela junção da Sintaxe, da composição do texto oral; da Fonologia e Fonética (entonação, ritmo e velocidade da fala); da Semântica, da Lógica, do significado da palavra e da Análise do Discurso.

A distribuição tem sido imensamente avançada pelo constante surgimento das novas tecnologias, impactando diretamente no comportamento do usuário, seja na condição de produtor ou de consumidor da Oralidade. Ela pode ser presencial ou midiática que, por sua vez, pode ser síncrona ou assíncrona, entre outras tantas alternativas de distribuir e/ou compartilhar esta modalidade da língua.

Igualmente, o consumo da Oralidade tem registrado resultados históricos, ao ponto de fazer emergir uma nova era da Oralidade em função das inúmeras opções tecnológicas, que proporcionam inovadoras maneiras de recepção de conteúdos de natureza oral, seja eminentemente auditiva ou audiovisual, especialmente pela conveniência e adequação do seu consumo ao modo de vida da sociedade.

Esta área da Economia propõe-se a valorar a Oralidade e as suas respectivas repercussões socioeconômicas na Nova Economia através de elaboração de processos, metodologias e sistemas que possibilitem gerar evidências objetivas e indicadores de desempenho, compreendendo instrumentos de aferição coerentes com a sua natureza, destinada para determinados contextos e circunstâncias, seja num enunciado ou num evento comunicativo alvo de uma análise.

O principal objeto da Economia é a satisfação das necessidades ilimitadas das pessoas e, seguramente, a Oralidade é vital em toda relação humana e na escolha adequada dos usos dos recursos escassos.

Os recursos escassos desta área econômica são basicamente os fatores de produção, e são classificados em fixos ou variáveis.

Entre os fatores de produção escassos fixos estão o tempo e o espaço, que também podem ser concebidos numa condição tempo-espacial sob a perspectiva da Física Quântica, que é a condicionante da existência do fenômeno som.

Além do fator de produção tempo-espacial, que é um meio de medir uma percepção de mudança, há outros igualmente essenciais na Oralidade dentre os quais destacamos a atenção e os níveis de atenção, que classificamos como variáveis sobre o ato da fala.

O recurso escasso “atenção” está baseado da teoria da carga cognitiva. Ela descreve os fenômenos da memória de curto prazo, também nominada memória de trabalho, e da memória de longo prazo. Ambas devem ser, impreterivelmente, contabilizadas para viabilizar uma Oralidade eficaz.

Planejar a fala para cada necessidade é essencial. Para cada demanda comunicativa é indispensável um plano de fala (pensar antes de falar). Só assim épossível projetar nossas falas, considerando o que produzir, como produzir e para quem produzir.

Por ser uma atividade econômica nuclear, negligenciá-la é somar ou até multiplicar desperdício da riqueza de valor agregado da humanidade.

O marco fundamental da ciência econômica consolidada pela escola clássica é a obra “Uma Investigação sobre a Natureza e Causas da Riqueza das Nações (1776), do escocês Adam Smith (1723-1790), considerado o pai da Economia Política Clássica Liberal. Ele afirma que não é a prata ou o ouro que determinam a prosperidade de uma nação, mas sim o trabalho humano. Em consequência qualquer mudança que aprimore as forças produtivas estará potencializando o enriquecimento de uma nação, conclui.

Se isso foi dito nos séculos XVIII e XIX, o que poderíamos afirmar na pós-modernidade? Qual a dimensão desses pensamentos na Nova Economia, que trata de capitais e ativos intangíveis? Qual a relevância de termos consciência social do aprimoramento das forças produtivas no século XXI? Qual a importância da aquisição de concisão, objetividade e clareza na nossa comunicação oral, capaz de ganhar produtividade nas relações pessoais e profissionais? Qual o tamanho do desperdício, inclusive financeiro, pela falta de uma comunicação eficaz? Faça a conta e prepare-se para ficar impactado com o estratosférico resultado.

Geração de Valor pela Economia da Oralidade

A Oralidade tem grande influência na maneira como vivemos. É por meio dela que as pessoas se comunicam com o mundo externo. É através do planejamento da fala que estabelecemos os nossos pontos de contato com o mercado.

É essencial a prática de planejar, pensar antes de falar, ganhando performance na comunicação, evitando o conflito e o ruído e semeando informação, diálogo para um melhor relacionamento humano. Por isso, concebemos que a Economia da Oralidade promove a satisfação das necessidades humanas. É uma troca de experiências entre as várias esferas da Nova Economia, em especial, da Economia Criativa, através da interação dialógica entre atores envolvidos, da oportunidade de compartilhamento das competências e experiências individuais em prol do coletivo.

Propõe-se a elaboração de planejamento da fala, dedicação à produção da Oralidade, que compreende a preparação, ensaio e implementação, para que o praticante alcance sua melhor performance.

É indispensável criar-se consciência que leve a atitudes efetivas por parte dos empreendedores e investidores criativos. Eles precisam virar atores, caracterizados pela capacidade dramatúrgica, e “motores” dos seus empreendimentos criativos.

A expressão economia vem do grego e significa lei da casa, regra da casa de oikos (casa) e nomos (lei). Seu praticante, o oikonomeo,é o administrador da casa, o mordomo, o economista.

A Oralidade é um atributo humano que, mesmo com o avanço da inteligência artificial, não será substituído por nenhuma tecnologia. Ela é um fator de identidade social, regional, grupal dos indivíduos, com plena repercussão no aspecto econômico.

A viabilização do uso da linguagem oral em cada meio social compreende identificar a cultura do grupo social alvo da comunicação para definir o alinhamento e o afinamento da Oralidade, constituída pelo objeto de linguagem e pela performance oral.

A Economia da Oralidade diagnostica que as transformações geradas pela era digital propiciaram uma nova era da Oralidade, resgatando a autêntica e insuperável forma de comunicação humana.

A capacidade de produzir mais usando menos quantidade de fatores de produção é um princípio econômico também para a Oralidade, o que, na prática, significa aumentar a produtividade nos processos produtivos da fala e na produtividade da economia como um todo, resolvendo um impasse estratosférico nas organizações, que é o prejuízo causado pela ausência de clareza nas comunicações constantes entre seus integrantes.

Regra de ouro da economia da Oralidade: “Não fale mais do que você efetivamente sabe”. E outra: “poupe pelo menos 10% de tudo o que você pode dizer”.

Fatores de produção da Economia da Oralidade

Sob o ponto de vista da Economia da Oralidade, algumas dicas:

  1. Avalie os impactos de seu consumo auditivo.
  2. Consuma (ouça) apenas o necessário.
  3. Transforme seus sonhos em realidade, a Oralidade em riqueza, em valor agregado.

Numa analogia podemos considerar, para efeito de estudo desta área da Economia, como setor primário a Oralidade presencialsecundário, a Oralidade midiáticaterciário, a interface de voz.

São dois os grupos na teoria econômica: a macroeconomia e a microeconomia. Elas são inter-relacionadas, compreendem o estudo dos objetos da economia enquanto ciência:

  • O comportamento dos agentes econômicos manifestado pela fala;
  • A escassez de produtos ou insumos entre os quais tempo, espaço e atenção;
  • O processo produtivo impulsionado pela oralidade eficaz entre os agentes econômicos e o mercado;
  • A inter-relação dialógica, conversacional entre os agentes econômicos que formam o mercado.

Entretanto, o diagnóstico da consciência da Oralidade é consideravelmente superficial. Entre múltiplas razões possíveis, valemo-nos da lei da oferta e da procura que nos mostra o excesso de falas e a escassez da procura, no sentido da minimização da percepção do valor.

Sob a perceptiva econômica a voz, como recurso fisiológico básico da pragmática/discursiva da Oralidade, é um insumo abundante e de superficial percepção de valor, diretamente desproporcional à centralidade que ela ocupa na prática social no uso da linguagem.

Entre os fatores de produção da Oralidade, valemo-nos dos fatores básicos da Economia: terra, capital e trabalho.

Adequando os fatores de produção para a perspectiva da oralidade, começamos por “terra”, que é nosso aparato corporal, os aspectos fisiológicos e neurofisiológicos, o sistema fonador, o respiratório, a sensorialidade (considerando a capacidade perceptiva, o ver, ouvir, sentir); a capacidade cognitiva, o processo de funcionamento mental, as características da individualidade e assim por diante, o que trataremos mais à frente.

O segundo fator de produção da Economia de que se vale o estudo dos fatores de produção da Oralidade é o “capital”, aqui definido como o capital intelectual, o conhecimento adquirido por indivíduos ou grupos sociais, organizações, corporações. É o capital e ativo intangível alvo da Nova Economia.

Já o “trabalho“, neste contexto, é a Oralidade em si, como fator socioeconômico: o ato de fala, a utilização do fator terra e capital.

Setores econômicos da Economia da Oralidade

Quais seriam os setores econômicos: primário, secundário e terciário da Economia da Oralidade?

Numa hipótese e ser investigada, mas usando de analogia, podemos considerar para efeito desta área da Economia que o setor primário da Oralidade é o presencial, o contato direto, pessoal, ocupando um mesmo tempo e espaço, estabelecendo uma interação plena, um intercâmbio conversacional, onde todos os ingredientes de um cenário comunicativo estão ativos.

O setor secundário da Economia da Oralidade é o midiático. Ele está nas interações, através de meios de comunicação, entre os atores de determinada comunicação.

Consideramos como setor terciário da Oralidade as interfaces de voz, a robótica – através da inteligência artificial, ainda em desenvolvimento, em processo de aperfeiçoamento com pretensões futuristas ousadas.

Já a atividade macroeconômica ocorre pela somatória dos hábitos de produção, consumo e acumulação de bens de todos que fazem parte destes agrupamentos. A maneira como nós medimos a atividade macroeconômica é através de agregados econômicos.

A macroeconomia representa a soma de todas as transações econômicas feitas pelas diversas partes do grupo estudado, seja de uma cidade, estado ou país.

Na Economia da Oralidade trataremos a macroeconomia por âmbito e abrangência de determinado evento comunicativo ou enunciado. São caracterizados pela dimensão da comunicação, internacional, nacional ou mesmo local no contexto da cena pública, estando diante de agrupamentos humanos.

A microeconomia nos traz um cenário mais restrito, de maior pessoalidade. Quando abordamos a microeconomia, observamos que ela refere-se ao estudo dos comportamentos de consumo da oralidade das pessoas, das famílias e das empresas, o que, por sua vez, resulta no consumo de bens e serviços tangíveis e intangíveis. Refere-se também ao estudo da produção de bens e serviços exclusivamente intangíveis, à formação de opinião modificadora do comportamento e do consumo ideológico, filosófico, dos modelos mentais, entre outros fatores da produção relacionados a estes indivíduos, famílias e empresas, como nos ensina Bacha (2004).

Agentes econômicos são todos os indivíduos, empresas e órgãos públicos que participam de um mercado e possuem uma relação de troca de bens ou serviços.

Circulação da Oralidade e Sua Velocidade

A circulação de informação e de conhecimento é um fenômeno econômico gerador de riqueza e valor que se dá pelo movimento promovido pela interação entre os atores envolvidos em cada propósito. Isso materializa-se, essencialmente, pela oralidade.

Assim como quanto maior for a circulação de moeda maior será a saúde econômica de uma comunidade, também será mais rica a comunidade cuja Oralidade circula de forma eficaz. Isso quer dizer que quanto mais diálogos e conversas representativas de valor houver entre os membros dessa comunidade maior será sua saúde socioeconômica.

A Teoria Quantitativa da Moeda conceitua que o nível dos preços é determinado pela quantidade de moeda em circulação e pela sua velocidade de circulação. (Wikipédia)

Podemos parafrasear este conceito dizendo que o nível dos valores da Oralidade é determinado pela quantidade de palavras assertivas em circulação e pela velocidade de circulação.

Quanto mais retermos a circulação de moedas (guardando-as nos “cofrinhos” ou mesmo apostando no mercado de capitais, ao invés de investir na produção de bens e serviços), menor será o desenvolvimento econômico efetivo da sociedade em que vivemos.

Assim também, se retivermos a circulação (pela Oralidade) de informações, conhecimentos, criatividade, entre outras áreas, especialmente da Nova Economia, maior será a emissão de mensagens sofistas, mentiras com aparência de verdade, notícias falsas, o que corresponde às moedas falsas, causadoras de imensuráveis danos à Economia. Menor será também o avanço econômico.

Informação é a moeda da internet; a palavra é a moeda da Oralidade e a Oralidade, a moeda da Nova Economia.

Considera-se que a Oralidade é mais eficaz para expressar exatamente o que a gente sente por conter a exata dimensão do que se quer comunicar.

No processamento cerebral, a Oralidade produzida pela voz do emissor exige do receptor, do ouvinte, uma decodificação só (transformando a palavra dita em entendimento cerebral), ao passo que na palavra escrita, no ato da leitura, há uma dupla decodificação, tendo que transformar fonológica e foneticamente aqueles hieróglifos. Isso significa que aqueles sinais gráficos do alfabeto precisam virar sinais sonoros para podermos compreendê-los. Parte-se para a dupla decodificação da área visual para a área auditiva cérebro, mesmo num som inaudível, para, depois, gerar compreensão cognitiva, especialmente no ato da leitura.

Além de entendermos que o ato de leitura se dá com a intervenção da oralidade, mesmo que sem o uso das cordas vocais, há também o hábito de se balbuciar os lábios para ajudar na compreensão do texto escrito, o que caracteriza como mais evidente ainda a presença da oralidade no processo, isto sem falar na leitura em voz alta.

Recebemos informações auditivas por intermédio dos ouvidos, mas também pela pele, pelos ossos e por todo corpo, a partir da medula central que recepciona as vibrações físicas do som, numa relação chamada áudio-tátil. Isso acontece tanto com notas musicais e palavras cantadas quanto com a palavra falada, mesmo que sutilmente. Pronunciar palavras altera a nossa respiração, nossa pulsação, a pressão sanguínea, a tensão muscular, a temperatura da pele e outros ritmos internos, além de promover a liberação de endorfina.

Outro aspecto interessante é que a nossa audição normalmente torna-se mais aguda quando não temos pistas visuais que são preenchidas pela imaginação, lacunas preenchidas pelo imaginário.

Incentivo na Economia da Oralidade

A teoria que corresponde à Economia da Oralidade está apenas nascendo, por isso é impossível antever que tamanho irá ocupar nos estudos da Comunicação e da própria Economia.

Como ciência da Economia é, a princípio, um conjunto de ferramentas e não uma matéria em si, nenhum tema, por mais estranho que pareça, deve ser considerado fora do alcance, conforme afirma Steven D. Levitt em seu livro FREAKONOMICS.

Economia é o estudo dos incentivos, ou seja, de como os indivíduos conseguem o que desejam ou aquilo de que necessitam, considerando também quando outras pessoas desejam o mesmo ou necessitam dela.

Um incentivo é um objeto de desejo (tangível ou intangível), uma chave que abre o baú de tesouro do pensamento, uma mola propulsora e impulsionadora da Nova Economia viabilizada pela Oralidade, especialmente pelo poder semântico da palavra-chave, capaz de transformar contextos e circunstâncias socioeconômicas.

As informações, o conhecimento, a criatividade, os aspectos comportamentais e a colaboratividade, são mobilizados pelo exercício dialógico da conversação, da troca de informações e conhecimentos, geradores eficazes e eficientes de incentivos necessários ao crescimento econômico.

Neste sentido a Oralidade cumpre integralmente o propósito de persuadir os ouvintes a fazer aquilo que o orador está afirmando. Isto se dá, invariavelmente, através de um dos segmentos mais nobres da oralidade, a oratória, entendida como a arte da persuasão.

Incentivos são meios para estimular que as pessoas desejem realizar tarefas que beneficiem a si mesmas e à sociedade, minimizando o risco de fazerem aquilo que não tem valor econômico.

A Economia da Oralidade trata, entre múltiplos aspectos e cenários, das relações humanas no âmbito socioeconômico em geral e, particularmente, do que chamamos de “negócio gerado pelo propósito principal da troca de valor entre as partes envolvidas”.

Design da Oralidade, um segmento da Economia da Oralidade

O design da oralidade é uma área integrante da Economia da Oralidade responsável pelo processo de capacitação e de aprendizagem da oralidade. Ele é nominado de Voice Design, o design da voz para fins comunicativos, logo, o design da oralidade. Trata-se de uma atividade que prevê a manipulação, a criação e a organização dos elementos cognitivos e estéticos da comunicação oral, capaz de ativar os diversos estímulos sensoriais para fins de fixação efetiva da mensagem, de retenção eficaz do conhecimento, atrelando a racionalidade aos vários planos emocionais gerados em diferentes perspectivas do pensamento projetado pela difusão de voz.

Utilizam-se os diversos recursos disponíveis pela voz (como entonação, ritmo, harmonia, altura, amplitude, volume, frequência, intencionalidade), num sistema de sonorização vocal capaz de atribuir diversas funcionalidades cognitivas e estéticas aos processos de oralização. Assim é possível ter o controle sobre diferentes parâmetros acústicos de qualquer fonte sonora, materializado pelo desenvolvimento de interfaces presenciais ou virtuais, analógicas ou digitais, orientadas por uma intenção ou objetivo de interatividade e colaboratividade, visando oferecer soluções comunicacionais e relacionais eficazes.

Numa ação midiática o emissor da mensagem está presente no ato comunicacional, representado pela sua voz gravada, analógica ou digitalmente. É a voz do emissor que está comunicando a mensagem. Já na escrita o leitor é quem usa a sua voz para interpretar a emoção contida no texto.

Por isso, a tendência no universo digital é cada vez mais a gente se valer da palavra falada, tanto para consumir informação ou entretenimento como para emitirmos as mensagens em nosso dia a dia. O que podemos concluir que isto é que dá à palavra falada um enorme poder de comunicação, quanto mais digital for o mundo.

Presentemente, a Economia Criativa constata que de todas as áreas de atuação que a envolvem, o audiovisual, representado especialmente pelo vídeo, corresponde ao segmento de maior porte de investimento criativo.

Destacando-se que a predominância da produção de vídeo se dá pelo uso da oralidade, muito mais acentuadamente do que pela utilização da linguagem visual, ou seja, menos pela sequência da exposição de imagens que narrem determinada história do que pela performance da fala de determinado ator.

É fundamental no universo digital que tudo o que é escrito exige atenção exclusiva, numa época em que as pessoas têm cada vez menos tempo, a voz, o som, a palavra falada podem ser consumidas enquanto desenvolvemos outras tarefas, podemos ouvir enquanto estamos dirigindo, muitas vezes presos no trânsito, por exemplo, ao passo quando temos que ler alguma coisa, temos que separar um tempo exclusivo para a leitura.

É essencial termos consciência não só da necessidade de nos comunicarmos bem e melhor, mas prioritariamente de focarmos todo nosso empenho para melhorar a experiência para o outro, o nosso ouvinte.

Assim, a formulação da teoria da Oralidade compreende a importância de planejar a fala (pensar antes de falar), dando assertividade à comunicação, evitando o conflito e o ruído e semeando informação e diálogo para promover um relacionamento humano saudável.

Os benefícios do estudo da teoria da Oralidade são:

  • Expandir a consciência sobre o ato comunicativo;
  • Entender a relações cognitivas da palavra e estéticas da voz;
  • Conhecer o papel das funções da linguagem, especialmente a poética;
  • Compreender o universo do som das palavras (fonética);
  • Aprimorar o controle sobre o fenômeno da fala como atributo básico para o bom relacionamento social e profissional;
  • Elaborar um plano mental de conversação, incluindo alternativas para possíveis mudanças de rumo;
  • Planejar tática, técnica e estrategicamente a sua comunicação oral;
  • Discernir e monitorar a entonação, o ritmo, a velocidade, o volume, a frequência, o tom de grave e de agudo da voz, entre outros elementos sonoros;
  • Avaliar em que contextos e circunstâncias a comunicação está sendo realizada;
  • Harmonizar e influenciar o clima de um ambiente através de uma comunicação eficaz;
  • Identificar e avaliar a sua comunicação intrapessoal;
  • Adquirir a habilidade de ouvir com exatidão o que está sendo dito;
  • Aprender a ser assertivo na sua comunicação interpessoal, resultado de uma escuta eficiente;
  • Identificar as características do perfil do receptor e perceber o efetivo interesse dele no que está sendo dito;
  • Aprender como interagir oportunamente nas conversações;
  • Identificar e avaliar a comunicação intrapessoal;
  • Usar o recurso do silêncio, da pausa, indispensáveis para gerar compreensão da mensagem;
  • Aprender a fazer perguntas pertinentes e provocativas o suficiente para obter respostas abertas.