Introdução

A humanidade sempre viveu a metade do seu tempo pensando no futuro, mas agora essa proporção está passando dos três quartos (CAZES, 1986). Esse sentimento, que se amplia, está intimamente ligado à velocidade das inovações e ao impacto crescente delas na vida das pessoas em todas as dimensões imagináveis. Expectativa de vida, habitação, mobilidade, educação, saúde, segurança, governança e empregabilidade são apenas alguns exemplos.

Concomitantemente, observa-se um fenômeno crescente de concentração de riquezas. A distância entre ricos e pobres aumenta. Crescem as desigualdades e dispersam-se zonas de depressão econômica em praticamente todos os países. A maioria dos benefícios e facilidades criados pelas inovações não chegam a grande parte da população que, todavia, compartilha os impactos ambientais sistêmicos dos processos produtivos.

O momento é de impasse. Nunca antes na história conhecida o ser humano teve tanto poder sobre a continuidade da vida no planeta. O futuro aparece como uma interrogação. Futuros imaginados desaparecem como névoa sob o sol enquanto outros aparentemente inimagináveis emergem. A transformação digital traz à tona inúmeros questionamentos relativos ao paradigma conhecido de empregabilidade. A rapidez é a nova moeda dos negócios e o complexo é a regra.  Ficam patentes tanto o limite humano frente à rapidez exponencial da tecnologia quanto o limite das organizações e instituições – diante das capacidades individuais – de se posicionarem frente ao desafio de multiplicação do potencial de inovação que o momento exige.

Altamente desejável para as tomadas de decisão da vida pessoal e profissional de cada um, a capacidade de enxergar propósitos e traduzi-los em ações que resultem em transformação na direção desejada configura-se em aspecto vital para a sobrevivência das organizações e assume caráter determinante nos processos de desenvolvimento de territórios e segmentos de atividade econômica, entre outros. A necessidade de inovação, mas sobretudo de direcionamento da inovação para construção de perspectivas de futuro mais sustentáveis, coloca a prospectiva como passagem obrigatória para o desenvolvimento industrial.

É do senso comum que desenvolvimento e competitividade demandam inovação de diferentes naturezas: de gestão, de processos, de produtos, de mercado e institucionais. O que precisaria vir a integrar esse senso comum é a reflexão sobre inovação a partir de interrogações como: “qual será o futuro da empresa?”, “qual o futuro do mercado?”, “qual o futuro do território?”, “qual o futuro de nação?”, e, finalmente, “qual o futuro da humanidade” e “qual o futuro do planeta?”.

Para fazer face a esses questionamentos, a prospectiva emerge como uma indisciplina intelectual que estrutura a reflexão sistemática sobre o futuro com vistas a iluminar a ação presente (GODET; DURANCE, 2011). Para a prospectiva, o futuro é um domínio de liberdade, de poder e de vontade, constituindo um território a explorar futuros possíveis e um território a construir futuros desejáveis (JOUVENEL, 2004). A abordagem prospectiva não busca prever o futuro como se ele estivesse definido, mas sim antecipar futuros possíveis, com vistas a se preparar para desafios e oportunidades e, por meio da ação estratégica, estimular mudanças que resultem nos futuros desejados (GODET; DURANCE, 2011).

A inovação, no seu sentido mais amplo, é uma síntese criativa de ciência, tecnologia e design que é incorporada pela sociedade na medida em que resolve questões fundamentais da humanidade em uma perspectiva humanista (GIGET, 2009). A experiência em prospectiva, orientada ao desenvolvimento industrial sustentável, realizada pelos Observatórios do Sistema Fiep, permite vislumbrar na prática a percepção sobre o papel da inovação na construção do futuro.

Todavia, está comprovado que as nossas percepções dos futuros possíveis influenciam tanto as representações que orientam a opinião quanto as decisões fundamentais de tomadores de decisão (CAZES, 1986). Por isso, para a compreensão das imbricações entre a construção do futuro e a inovação, esse capítulo propõe-se a analisar a evolução do pensamento sobre o futuro na ação humana, estabelecer conexões com o contexto de surgimento da prospectiva estratégica e apresentar exemplos de aplicação para indução do desenvolvimento industrial sustentável por meio da inovação.

A evolução da influência do pensamento sobre o futuro na ação humana

Tentar olhar para o futuro sem ter consciência do passado é um equívoco. “A prospectiva se alimenta da história, pois, de uma época à outra, enquanto os homens mudam, os problemas permanecem frequentemente idênticos. ” (GODET; Durance, 2011, p.1). Para entender o que está em jogo na relação atual das sociedades com o futuro, assim como o papel da inovação neste contexto, é preciso aprofundar o olhar em uma perspectiva histórica.

A influência do pensamento sobre o futuro sempre esteve, e continua estando, vinculada a problemáticas filosóficas, psicológicas, éticas, religiosas e científicas, todas girando em torno da possibilidade de escolha. Karma, predestinação, livre-arbítrio, determinismo mecanicista, determinismo teleológico e princípio das possibilidades alternativas, entre outros, são alguns dos conceitos, filosofias ou teorias que vão ao longo do tempo sendo construídos com vistas a tentar elucidar a relação entre passado, presente e futuro, e assim modelar, controlar ou explicar a ação humana.

Idade Antiga

Na Idade Antiga, os filósofos gregos e romanos, foram os primeiros a formular objeções à ideia, ainda vaga, de determinismo universal em relação ao ser humano. De diferentes maneiras, eles buscaram estabelecer uma certa liberdade psicológica de raciocínio, julgamento, vontade e ação. O reconhecimento da liberdade de escolha do indivíduo é que criou condições para o surgimento do conceito de ética, um legado da Antiguidade.

Defensor da vida simples, Sêneca, que viveu em Roma, entre 4 a.C. e 65 d.C , é expoente de uma filosofia ligada à moral, à conformidade com valores e princípios, assim como virtudes e ética. O filósofo romano acreditava no poder da divindade e na predestinação dos seres humanos enquanto mortais condenados a uma existência finita (SÉNÈQUE, 1861). O tempo, a vida e a morte atravessam seus escritos, nos quais advoga pelo não sofrimento pelo passado, já que “o passado nos pertence, não há coisa alguma que esteja mais segura do que o que já foi”, muito menos pelo futuro, uma vez que “só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio. ” (SÉNÈQUE, 1861). Consciente da impotência humana no que tange ao controle sobre todas as coisas, observava que o que temos de concreto é o agora e, dessa forma, o presente deveria ser o momento de ação a ser privilegiado. “Apressa-te a viver bem e pense que cada dia é, por si só, uma vida.” (SÉNÈQUE, 1861).

Para lidar com a angústia de não saber o que está por vir, Sêneca (1861) exortava a antecipação, evitando situações perigosas: “procura prever tudo quanto seja previsível; procura conjecturar tudo o que pode ser-te nocivo muito antes do que suceda, para assim o evitares”. Da mesma forma, incentivava a coragem e o empreendedorismo, “Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreender” (SÉNÈQUE, 1861). De forma contundente, convoca à ação com foco no que se tem algum controle, no que de fato depende do indivíduo, naquilo que está mais próximo do seu alcance.

Com todas as considerações necessárias ao contexto em que viveu e escreveu, a filosofia de Sêneca o coloca como um precursor do pensamento prospectivo. O filósofo apontava elementos fundamentais do que hoje é chamado de uma démarche prospectiva. Sêneca (1861) defendia que “a parte mais importante do progresso é o desejo de progredir”, o que corresponde à atitude prospectiva. Suas máximas de que “a vida, sem uma meta, é completamente vazia” e que “não existe vento favorável para aquele que não sabe onde vai”, colocam em relevo a necessidade de propósitos mobilizadores e a importância de direcionamento e foco para a ação.

Estas reflexões, datadas do primeiro século da era cristã, ainda que ancoradas em uma visão de mundo calcada no destino e nos humores de uma transcendência divina, plantaram sementes que, assim como muitas outras contribuições fundamentais da Idade Antiga, influenciaram fortemente a formação do pensamento humano em todos os tempos.

Idade Média

A queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) marca o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média (MOYEN, 2017). Considerado de “trevas” pelo tolhimento do livre pensar, esse período foi ao mesmo tempo a causa e o efeito de uma onda de inovações.  Surgem as corporações ofício e a construção das catedrais góticas integra aos conhecimentos da época novas técnicas construtivas, assim como o uso do ferro e do vidro, a mecanização dos canteiros e o uso da água como energia motora.

A Idade Média, período entre os séculos V ao XV, registra a consolidação de uma das maiores instituições religiosas e políticas, a Igreja Católica Romana, cujo poder foi assentado na criação de uma unidade cultural e espiritual do ocidente europeu em torno do teocentrismo. Nessa perspectiva de religiosidade, em que Deus é o centro do universo e tudo define, deterministas e indeterministas não facultam ao humano a escolha sobre o futuro. Para os deterministas, o futuro já está definido por Deus e a cada um compete um destino. Para os indeterministas, o futuro é definido por Deus, que o determina segundo sua vontade, o que o torna capaz de alterar o destino e definir o futuro. Cabe ao homem pedir e à força divina decidir se concede ou não a graça solicitada. Em ambas as perspectivas, “Deus determina, de acordo com sua vontade, todas as coisas, os destinos e mesmo as decisões humanas, eliminando o livre-arbítrio e, portanto, a culpa pelos descaminhos e desatinos humanos” (BUARQUE, 2003).

Nesse intervalo de dez séculos, as objeções à restrição de liberdade de pensamento, expressão e ação eram severamente reprimidas. Foram necessários eventos externos de grande envergadura para a abertura de novas possibilidades de construção do futuro no ocidente. Os séculos VII e VIII foram palco da ascensão e expansão do Islamismo que chegou a dominar a península ibérica (EMPIRE, 2017). A perda de territórios e o desejo de retomada de Jerusalém culminaram nas Cruzadas, realizadas entre os séculos XI e XIII. Por sua vez, elas levaram ao restabelecimento do comércio na Europa, ao domínio de novas rotas marítimas e a uma nova percepção de mundo (MOYEN, 2017).

O controle sobre o conhecimento era rigoroso por parte da Igreja, mas os clássicos greco-romanos continuavam sendo referência tanto no Oriente quanto no Ocidente. Com o declínio do Império Romano do Oriente, artistas e cientistas bizantinos se refugiaram na Europa trazendo suas ideias, conhecimento e manuscritos antigos (EMPIRE, 2017). Na medida em que o conhecimento e ideias começavam a circular, aumentavam os questionamentos sobre o ideal medieval baseado na unidade da fé na Igreja de Roma, na unidade política dirigida pelo imperador e na unidade cultural ensinada pelos clérigos em uma única língua, o latim (MOYEN, 2017). A semente da mudança estava instalada. A invenção da impressão pelos chineses e sua redescoberta por Gutenberg terá um papel de alavanca propulsora da descentralização do conhecimento e da difusão da Bíblia em línguas europeias (GIGET, 2009).

Renascimento

O Renascimento surge no Século XIV na Itália, inspirado nos valores greco-romanos e ancorado nas transformações sociais, culturais, econômicas, políticas e reformas religiosas (RENAISSANCE, 2017). Pouco a pouco, estende-se por toda a Europa e resulta na reformulação da vida medieval e criação das condições para o surgimento de um novo tempo, a Idade Moderna.

Giget (2009) apresenta o Renascimento como o momento de uma grande onda de inovações e o período fundador da nova abordagem da inovação por meio da criação da patente de invenção, do capital de risco e do design (separação da concepção da realização). Continuando, sublinha que desenho em perspectiva, serviços bancários, máquinas-ferramentas, relojoaria, tecelagem de luxo, seda, química mineral estão entre as inúmeras inovações do renascimento.

O Humanismo, movimento do Renascimento, confiava na natureza humana e queria torná-la melhor. Com a redescoberta dos clássicos da Antiguidade, o pensamento “Deus como centro do universo” começa a conviver com a ideia do “Homem como medida de todas as coisas” (RENAISSANCE, 2017). Essa nova maneira de olhar para o mundo contrapondo fé e razão alterou, significativamente, a mentalidade dos homens. Pensar o futuro passa a fazer sentido e torna-se uma necessidade. Os renascentistas tinham consciência de viverem uma revolução, imaginavam o impacto de suas ações em longo prazo, usando frequentemente a expressão “para os próximos 1000 anos”. (GIGET, 2009, p.34). Gianozzo Manetti (1452), diplomata italiano e um dos idealizadores do humanismo, defendia que Deus era o criador do mundo, porém coube ao homem transformá-lo e melhorá-lo. Na sua visão, tudo o que nos rodeia, castelos, cidades, pinturas, esculturas, ciências, os sistemas filosóficos são invenções do homem (GIGET, 2009)

Ainda que sem a noção do impacto, o Renascimento, enquanto momento de síntese criativa, permitiu o início da tomada de consciência sobre a força da ação humana na construção do que estava por vir.

Idade Moderna

A Idade Moderna é uma época de transição. O surgimento da burguesia ajudou a criar as condições para a consolidação de um novo sistema social, econômico e geopolítico (WORLD, 2017). A necessidade de mercadorias e mercados levou ao empreendimento das grandes navegações. Inovações como as caravelas, a navegação astronômica, o astrolábio e o quadrante, permitiram a realização desse ambicioso projeto (GIGET, 2009). Historicamente, esse é o início da Revolução Comercial, responsável por ampliar e remodelar o mundo entre os séculos XV e XVIII (WORLD, 2017).

Na Europa, os ideais do Renascimento, somados ao raciocínio filosófico do século XVII e à nova visão da realidade baseada na ciência, compuseram as raízes do Iluminismo (RENAISSANCE, 2017). A mobilização da razão, a valorização do progresso técnico e o rompimento com a influência da Igreja abriram espaço para o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades da condição humana, particularmente, a capacidade para a criação e transformação da realidade natural e social, o uso do livre-arbítrio e a não sujeição a condicionantes naturais, históricos e transcendentes (SIÈCLE, 2017). Como consequência, no decorrer do Século XVIII, as convicções renascentistas e iluministas inspiraram a Revolução Americana, a Declaração de Independência dos EUA, a Carta dos Direitos dos EUA, a Revolução Francesa, a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, a Inconfidência Mineira, entre outros (WORLD, 2017).

Estes eventos, cada um a seu tempo, redesenharam o Mapa Mundi e resultaram em inovações de sistema de governo. A articulação social por trás desses posicionamentos revolucionários guarda um dos princípios fundamentais da prospectiva que é a visão de futuro como uma construção coletiva de condição ou posição a ser conquistada.

Idade Contemporânea

No que tange à Idade Contemporânea, existem divergências sobre o momento de início. Todavia, observa-se consenso sobre o fato de que ela está vinculada à Primeira Revolução Industrial. A expansão marítima europeia em busca de especiarias, ampliação de territórios e de mercados, interligou o mundo e promoveu grande afluxo de riquezas e de novos alimentos das colônias para a Europa. Na segunda metade do século XVIII, o espírito do capitalismo estava disseminado e o acúmulo de conhecimentos pela humanidade havia aumentado consideravelmente (RÉVOLUTION, 2017). A conversão de parte desses recursos e conhecimentos em ativos tecnológicos de comunicação, produção e locomoção transformaram completamente o mundo conhecido ao longo das revoluções industriais.

A Primeira Revolução Industrial começou na Inglaterra com uma onda de inovações e, na sequência, expandiu-se por toda a Europa e EUA. A energia a vapor, motores, máquinas, máquinas-ferramentas, novos produtos químicos, metalurgia, assim como a entrada do carvão na matriz energética criaram as condições de transição da produção artesanal para novos processos de manufatura e de posicionamento da indústria como fundamento da estrutura econômica da sociedade (RÉVOLUTION, 2017). Com a industrialização, iniciou-se a observação de modificações qualitativas e quantitativas no meio ambiente.

O surgimento de novas fontes de energia como a eletricidade, o gás e o petróleo marcou o início da Segunda Revolução Industrial, que durou da segunda metade do século XIX até o evento da Primeira Guerra mundial (RÉVOLUTION, 2017). Nessa época, EUA, Alemanha, França e Inglaterra despontam como potências nacionais.

As exposições universais eram demonstrações da pujança industrial e da confiança na tecnologia como solução para todas as problemáticas. A Europa experimentava reais melhorias na qualidade de vida e o futuro parecia garantido pela inovação e pela tecnologia.

No início do Século XX, o capitalismo mundial entra em uma fase de imperialismo com investimento no estrangeiro acompanhado de domínio econômico sobre países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento (RÉVOLUTION, 2017). Em termos geopolíticos e econômicos, as grandes potências europeias e EUA impunham-se ao mundo na tentativa de ampliar suas áreas de dominação. A Primeira Guerra mundial, de 1914 a 1918, tem suas raízes na disputa de mercado e interesses imperialistas (RÉVOLUTION, 2017). Alemanha e Inglaterra entram em conflito, compondo alianças com outros países e tendo os EUA como grande fornecedor de alimentos, máquinas e equipamentos. A Segunda Guerra mundial, entre 1939 e 1945, tem raízes, entre outras coisas, na insatisfação com os desdobramentos do fim da Primeira Guerra, na crise mundial de 1929 e nas ambições expansionistas da Alemanha, Itália e Japão (RÉVOLUTION, 2017). Toda a tecnologia e inteligência disponíveis foram colocadas a serviço da guerra, resultando em desenvolvimentos importantes como o turbo reator, o radar, a fissão nuclear e o primeiro computador (GIGET, 2009).

A Segunda Guerra acabou após a explosão de duas bombas atômicas em terras japonesas e o balanço do pós- guerra contabilizou entre 50 e 70 milhões de mortos, na maioria civis (RÉVOLUTION, 2017). Também descobrimos as atrocidades dos campos de concentração, de trabalho e de extermínio, assim como deparamo-nos com os experimentos feitos em seres humanos, o uso de armas químicas e biológicas, a escravidão sexual e a prática de canibalismo, entre outros. A destruição e as atrocidades suscitaram a emergência de uma nova categoria criminal, o crime contra a humanidade.

Os horrores, registrados em relatos, filmes e fotos, foram largamente difundidos pela imprensa, cinema e TV. A capacidade e o alcance da destruição passível de ser orquestrada pelo homem estava demonstrada. Os crimes perpetrados contra a humanidade deixaram patente a fratura nos ideais Humanistas. Os conflitos marcaram a natureza por meio da destruição, dos destroços, da contaminação nuclear, da dispersão de substâncias tóxicas, com consequências genéticas e psicológicas percebidas até os dias atuais. O futuro, antes garantido pela evolução tecnológica agora aparece inquietante. Ele não pertence a Deus, mas também não pertence ao indivíduo. Emerge o entendimento da interdependência e o futuro passa a ser visto como tributário dos interesses e movimentos de nações com poderio financeiro e bélico.

EUA e União Soviética saem da Segunda Guerra fortalecidos como superpotências mundiais e protagonistas da disputa entre capitalismo e socialismo totalitário. A certeza sobre os resultados de uma guerra nuclear, tecnologia dominada por ambas as partes, freia os ímpetos beligerantes. Inicia-se a Guerra Fria, um conflito indireto de natureza ideológica, política, militar e tecnológica, que vai durar até a extinção da União Soviética, em 1991 (GUERRE, 2017). As corridas armamentista e espacial foram movidas pela busca de estar à frente e tentar garantir o equilíbrio de forças. Inúmeros desenvolvimentos, tecnologias e inovações foram criados em segmentos como a química, física e informática. A seu tempo, computadores portáteis, telefones celulares, Internet, assim como muitas outras tecnologias, passaram a ter uso civil. Todavia, de maneira geral, a industrialização desse período mostrou-se poluidora, invasiva e de alto impacto ambiental.

A Terceira Revolução Industrial começou nos EUA, Japão e países da Europa e está associada à aparição em 1969 de uma nova fonte de energia, a nuclear (RÉVOLUTION, 2017). Também designada como a Revolução Informática, marca uma nova etapa da evolução da ciência e das técnicas com o uso da energia elétrica de base nuclear, o desenvolvimento da eletrônica e informática, a miniaturização de componentes, a automatização de processos, a multiplicação de produtos sintéticos, as tecnologias espaciais, a robotização, a engenharia genética e o uso de biotecnologias (GIGET, 2009).

Encurtamento das distâncias, comunicação em tempo real, internacionalização, exploração desenfreada de recursos naturais, produção em massa, consumismo, transferência da produção em busca de menores custos, desmatamento, modificação genética, pirataria… Essas são apenas algumas das facetas desse período recente da história. Os desenvolvimentos científicos, tecnológicos e industriais do século XX trouxeram para as pessoas possibilidades de grandes melhorias na qualidade de vida em geral. Todavia, concomitantemente, explicitaram o impacto da ação humana na modificação dos ecossistemas.

Essa constatação e as reflexões sobre suas implicações no futuro da biosfera fizeram emergir um novo entendimento sobre a complexidade das problemáticas planetárias. Essa conformação pede uma gestão coletiva e o respeito a princípios ecológicos. As Cúpulas da Terra, a construção do conceito de desenvolvimento sustentável e a Carta da Terra traduzem a preocupação com o impacto da ação humana sobre o meio ambiente, as culturas, os espaços geográficos, as sociedades e as economias.

No contexto dos três maiores desafios, a saber, a crise econômica, a segurança energética e as mudanças climáticas Rifkin (2012) propõe um plano de sustentabilidade econômica de longo prazo, fruto de um exercício de prospectiva, para a Terceira Revolução Industrial (TRI). Ele o apresenta como uma visão estratégica fundamentada na produção de energia distribuída e apoiada nas possibilidades das novas tecnologias de informação e de comunicação, que deveria ser adotada e buscada ferrenhamente pelas empresas, regiões e nações (RIFKIN, 2012).

Já a Quarta Revolução Industrial, em conceituação ainda, não surge correlacionada a uma nova fonte de energia, embora as energias renováveis possam vir a ocupar esse papel. Ela emerge do potencial contido no fenômeno tecnológico da digitalização que permite a gestão do mundo físico por meio do virtual. Essa revolução se associa ao conjunto de inovações que estão reconfigurando os meios de produção, distribuição, consumo e acesso aos bens e serviços. Internet das coisas – IOT, Internet industrial das coisas – IIOT, automação e robotização completa das plantas industriais, cloud computingbig data, impressão 3D, manufatura aditiva, cyber segurança são algumas tecnologias visíveis de um processo com potencial para transformar radicalmente os modos de produção, cuja decorrência ainda é pouco difundida em termos de saúde, genética, aprendizagem e ampliação das capacidades humanas na perspectiva do transumanismo.

Estudos de futuros

O sobrevoo sobre a história recente da humanidade permite ver que, na medida em que o ser humano deixa de se sentir criatura e passa a se ver como criador, ele amplia exponencialmente sua capacidade criativa e inovadora, assim como seu impacto sistêmico sobre o planeta.

“Se o mundo torna-se complexo, o futuro deve ser analisado com ferramentas que permitam lidar com tal complexidade” (BOLZANI, 2017, p. 17). Essa reflexão ajuda a entender o surgimento dos Estudos de Futuros que emergem como um campo de pesquisa transdisciplinar. De configuração relativamente recente, os Estudos de Futuros abarcam distintas abordagens de estudo sobre o futuro, assim como seus métodos e técnicas. Suas vertentes principais são (JOUVENEL, 2004): o Technology Assesment, que foca a antecipação da evolução de uma dada tecnologia; a Veille Technologique, que acompanha a evolução tecnológica; o Forecast, que tem foco na predição do comportamento de um dado fenômeno a partir de modelos probabilísticos usando séries históricas de dados, em que a extrapolação do futuro é uma continuidade do passado; e o Foresight ou Prospective, que busca a antecipação da mudança e a identificação de futuros possíveis em abordagens exploratórias ou normativas.

Sobre a prospectiva estratégica

A prospectiva, nos moldes atualmente conhecidos, formou-se a partir das escolas norte-americana e francesa. O Foresight surgiu nos EUA no período entre guerras sob impulsão de interesses militares. Encontrou condições bastante favoráveis para crescimento uma vez que, em apenas uma década de trabalho dos pioneiros, as encomendas de estudos evoluíram para a criação de um arrojado projeto de pesquisa e desenvolvimento chamado Projeto Rand. Esse, por sua vez, transformou-se na Rand Corporation, instituição que posteriormente criaria métodos formalizados como o Delphi e Cenários, em uso até hoje.

La Prospective, da escola francesa, também teve sua gênese no período entre guerras. Todavia, foi apenas no final dos anos 1950 que emergiram expoentes como Gaston Berger, que ‘ressignificou’ a palavra Prospective e Bertrand de Jouvenel que forjou o conceito de Futuribles, para se referir aos futuros possíveis (JOUVENEL, 2004). Guiados por preocupações sociais e humanistas, eles se associaram a outros pioneiros europeus em projetos e reflexões.

Nos anos 1960 as duas correntes estabeleceram conexão e os anos 1970 foram palco de eventos internacionais do estabelecimento de programas de governo e da criação de entidades como o Club de Roma, Club de Dakar, World Federation for Future Studies, entre outros. As décadas seguintes foram marcadas por uma consolidação de abordagens e métodos, assim como grande difusão e ampliação do uso para as mais diversas temáticas.

Indo diretamente aos fundamentos, para a prospectiva, o passado é o locus dos fatos conhecidos, sobre os quais não se tem ação, enquanto que o futuro, em termos de conhecimento, é um domínio de incertezas e, em termos de ação, é um espaço de liberdade e de poder (JOUVENEL, 1964). Fruto de uma verdadeira revolução do pensamento, a prospectiva tem por objetivo ajudar a construir o futuro (BERGER, 2007).

A antecipação sem ação subsequente, assim como a ação despida de objetivo, são experiências sem sentido. Nesse contexto, a expressão Prospectiva Estratégica surge do fato que a antecipação suscita a ação (GODET, DURANCE, 2011). Seus fundamentos, construídos por Berger (1959), colocam a prospectiva, antes de tudo, como uma atitude frente ao futuro que repousa nos seguintes princípios: ver longe, esticando o horizonte tanto quanto possível; ver de forma ampla, buscando a complementaridade de pensamentos e visões; analisar com profundidade em busca do que é verdadeiramente determinante; assumir riscos, usufruindo de liberdade e audácia de pensamento; e sempre pensar no ser humano com um propósito de libertação do fatalismo, pois “o futuro não é somente o que pode ‘acontecer’ ou o que tem mais chances de se produzir. Ele é também […] o que nós teríamos desejado que ele fosse” (BERGER, 2007, p. 92).

A partir dos anos 1970, novos fundamentos foram postulados por Godet, agregando os princípios: ver de outra forma desconfiando do senso comum; ver junto com vistas à criação de condições de apropriação da reflexão e utilizar os métodos mais rigorosos e participativos possíveis para fazer face às incoerências do coletivo (GODET, DURANCE, 2011)..

Prospectiva no Brasil

No que tange à prospectiva no Brasil, constata-se a existência de competências instaladas derivadas de ambas as escolas francesa e anglo-saxônica. Por exemplo, os métodos e ferramentas de Michel Godet e colaboradores, desenvolvidos na época do LIPSOR/CNAM, foram integrados nas atividades dos Observatórios Sistema FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) por meio de formações-ações realizadas, diretamente, com a equipe de pesquisadores do LIPSOR/CNAM.

Todavia, na perspectiva de construção de política de estado, o Brasil demonstra dificuldades na realização e implementação de planejamentos de longo prazo, como, por exemplo, de 20 ou 30 anos. (RUTHES, 2016)

Essa constatação suscita o interesse em refletir sobre a experiência dos Observatórios do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná na realização de estudos prospectivos com vistas a induzir o desenvolvimento industrial por meio da inovação.

Prospectiva para a inovação na indústria

A consciência de longo prazo sobre o encadeamento de decisões, ações e consequências pode pôr fim tanto a vitimização pelo passado quanto a sobrecarga sobre o futuro. Essa crença tem movido a ação dos Observatórios Sistema FIEP que atuam com prospectiva desde 2003.

Os ciclos de prospectiva estratégica são orientados por uma visão do desenvolvimento industrial sustentável e contemplam abordagens com enfoque territorial (em perspectivas estadual, regional ou municipal), setorial, organizacional e temático. Em todos os exercícios de prospectiva já realizados, a inovação aparece, sem exceção, como um meio para o alcance do futuro desejado ou como um atributo que passa a ser inerente à organização, ao setor, ao território ou à temática trabalhada em um dado horizonte temporal definido como futuro.

O primeiro ciclo de prospectiva estratégica começou em 2004, com um exercício de prospectiva territorial designado “Setores Portadores de Futuro para a Indústria Paranaense 2015”, que identificou os setores e áreas mais promissores para o desenvolvimento do Paraná. Como desdobramento, cada setor ou área emergente priorizado foi objeto de uma prospectiva setorial. Ela resultou na construção de roadmaps chamados de “Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense”, com horizontes temporais entre 10 e 20 anos. Em todos os casos, a inovação, sempre diagnosticada como debilidade na análise da situação presente, transformava-se em chave de sucesso no momento da proposição de ações transformadoras.

Já a “Bussola da Inovação®” surgiu em resposta a esse contexto como uma estratégia de indução da inovação nas empresas. Trata-se de uma plataforma de pesquisa com metodologia de “Coleta-Aprendizagem®”. As perguntas são construídas de tal forma que a empresa aprende sobre inovação durante os momentos de resposta. Além disso, uma vez concluído o processo, é gerado um diagnóstico do status da organização com orientações de como avançar para melhores resultados. Por meio de business inteligence dashboard de acesso público, cada participante pode comparar sua performance com o resultado de outras empresas do seu segmento, do seu porte, da sua região, ou do estado de forma geral. A ideia é que as empresas possam se situar em relação a outras e busquem melhorar de posição.

A inovação pode ser uma competência da empresa assim como do território. Aliás, foi verificada uma correlação direta entre atributos do território e capacidade de retenção de empresas inovadoras. Nesse sentido, para induzir a criação de territórios inovadores foi criado o projeto de prospectiva “Cidades Inovadoras”, com o propósito de, junto com os atores locais, construir um projeto de futuro para municípios, garantindo a priorização e continuidade de ações estruturantes e de longo prazo.

As pesquisas sobre tecnologias-chave, que precisariam ser dominadas pelas empresas para responderem às mudanças tecnológicas já anunciadas, foram objeto de muitas discussões. O setor industrial paranaense se ressentiu da falta de perspectivas no que concerne à formação de quadros profissionais em fase com essas transformações tecnológicas. Para apoiar essa transição, foi construído outro projeto de prospectiva, o dos “Perfis Profissionais para o Futuro da Indústria Paranaense no Horizonte de 2030”. Foram mapeados 227 perfis e mais de 500 domínios de conhecimento considerados como importantes para a formação profissional. Essa informação, de alto valor, foi disponibilizada a todo o sistema nacional de educação com vistas a induzir a transformação das formações existentes com a incorporação de novos conjuntos de capacidades e a criação de novas ofertas formativas aderentes às grandes transformações em curso.

Estes estudos, entre outros, permitiram a construção de um caderno de recomendações para política industrial, as “Propostas para Competitividade da Indústria Paranaense”, que tem um capítulo exclusivo destinado a questões relativas à inovação.

Esse apanhado, longe de ser exaustivo, traz as principais iniciativas de prospectiva que fecham um ciclo de dez anos. Em 2015, foi realizado um balanço dos trabalhos realizados e da evolução de indicadores da indústria. Dentre as melhorias identificadas, foi constatado, por exemplo, que, entre 2005 e 2015, a indústria de alta tecnologia no Paraná havia crescido de forma muito mais significativa que a média brasileira.

Um novo ciclo de prospectiva foi inaugurado em 2016, com os “Setores Portadores de Futuro para a Indústria Paranaense 2025” e o “Master Plan de Competitividade para a Indústria Paranaense 2031”. Como desdobramento natural, os roadmaps setoriais já existentes estão sendo revistos e os novos setores priorizados deverão ter seus roadmaps construídos.

O desenvolvimento industrial sustentável para o Paraná é a visão de futuro que sustenta todas essas operações. Todavia, a sustentabilidade ainda é um conceito de difícil apreensão pelas empresas que tendem a associar o tema apenas à questão ambiental. Para enfrentar essa questão foi concebida a “Bússola da Sustentabilidade®” que busca desmistificar tanto o conceito quanto a prática, reposicionando-os em uma perspectiva de pré-requisito da competitividade. Apoiando-se em experiências acumuladas, a Bússola da Sustentabilidade também se estrutura em uma plataforma de “Coleta-Aprendizagem®” que gera diagnóstico sobre as práticas de sustentabilidade da organização e orienta fontes de informação para melhoria da performance. Também conta com business inteligence dashboard de acesso público que possibilita a comparação em relação ao segmento de atividade, ao porte e ao território. Relatos de empresários participantes testemunham a ampliação de entendimento no que tange ao alcance da sustentabilidade no dia a dia das empresas na medida em que participam da pesquisa.

Outras experiências de prospectiva para suporte à inovação na indústria que podem ser citadas são Tigre 2022, planejamento estratégico organizacional de longo prazo e, portanto, confidencial; Embrapa Florestas 2023, prospectiva em instituição de pesquisa com foco em CT&I com impacto direto nos setores de madeira, móveis, papel e celulose; Rota Estratégica da Cadeia Brasileira do Alumínio 2030, prospectiva para cadeia produtiva em abrangência nacional.

Considerações finais

As filosofias do oriente e ocidente são pródigas em reflexões sobre a importância de definir propósitos de futuro, pois esses fixam rumos que trazem foco para a ação. Entretanto, foram necessários muitos séculos para que a humanidade começasse a se libertar da transcendência como um jugo inexorável e, paulatinamente, pudesse dar vazão à sua imensa capacidade criadora.

overview histórico apresentado consubstancia o entendimento de que o futuro não é uma continuidade do passado. Todavia, seria uma cegueira não ver que decisões tomadas no passado recente ou longínquo não continuam a reverberar até os dias de hoje. Da mesma forma, o futuro não é uma continuidade do presente. As rupturas acontecem – como causas e consequências de inovações sociais, científicas, tecnológicas, políticas – e pavimentam as grandes transformações.

O futuro é feito de passado na medida em que sempre se tem que lidar com as consequências de decisões que foram e estão sendo tomadas. Mas, sobretudo, o que está por vir é uma construção do presente uma vez que no agora se pode, por um lado, corrigir rumos equivocados e, por outro lado, conceber e gestar de forma consciente aquilo que se quer viver.

A prospectiva permite vislumbrar futuros possíveis e ajuda a enxergar o que poderia/deveria ser feito. A estratégia consiste na definição do que vai ser feito e como. Nesse sentido, prospectiva estratégica e inovação são duas espirais do DNA do futuro. A prospectiva estratégica explora o passado e extrapola macrotendências de continuidade, analisa a situação atual e distingue desafios e oportunidades, sonda horizontes em busca de princípios de mudança e rupturas anunciadas, elabora cenários tendenciais e normativos, estrutura a tomada de decisão e orienta os planos de desenvolvimento, ação e implementação. No que tange à inovação, ela é a alavanca, ou seja, é a ação de maior impacto, em qualquer das dimensões da vida, que pode ser executada com vistas ao alcance do futuro desejado.

Saber fazer inovação é muito importante. Mas fundamental mesmo é ter consciência do sentido, direção e propósito com que devemos inovar.

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