A utilização do design é recente no campo dos negócios, apesar de já estar sendo utilizada há mais de 30 anos por outras áreas como a arquitetura, a ciência, a arte, dentre outras. Numa visão mais genérica, o design estaria ligado à concepção de algo, sua produção, formas, identidade, personalização, bem como sua função e utilidade. Atualmente discute-se uma forma do design que não está mais relacionada somente ao objeto, mas ao processo de pensamento que o originou. Nesta perspectiva de concepção do pensamento, o ponto alto do design é o design thinking, ou seja, a forma de pensar que caracteriza e o define.

O termo design thinking foi mencionado pela primeira vez no artigo Wicked problems in design thinking, de autoria do professor Richard Buchanan, da Universidade de Carnegie Mellon, em 1992. A consolidação do design com vistas à inovação colaborativa ganhou evidência com o trabalho da empresa de consultoria IDEO. A empresa norte-americana desenvolve inovações com base no pensamento de um designer.

Características determinantes como empatia, pensamento integrado, otimismo, experimentação e colaboração são observadas na utilização do método a ser aplicado a uma variedade de problemas, sempre com o objetivo de criar soluções inovadoras e sustentáveis.

A abordagem do design thinking se constitui de forma não linear. A equipe desenvolve o trabalho num processo cíclico, desenvolvido a partir do trabalho colaborativo e da empatia, buscando sempre entender a necessidade do outro (IDEO, 2009). O caminho a se percorrer objetiva a geração rápida de ideias e a criação e avaliação de protótipos. Como o próprio nome já diz, design thinking se refere à maneira de pensar do designer. E é importante destacar que não é qualquer modo de pensar, mas é de maneira abdutiva, ou seja, partindo dos dados e seguindo em direção às hipóteses. Esse tipo de pensamento pressupõe uma tempestade de questionamentos que devem ser respondidos a partir de informações coletadas na observação do universo contextual do problema. Ao se desvencilhar do pensamento lógico cartesiano, o designer desafia os padrões e provoca a imersão de novas possibilidades, conceitos e formas. Por meio do pensamento abdutivo, o design thinking exercita de forma despreconceituada um constante construir/descontruir, possibilitando a inferência de maneira criativa.

Segundo o Instituto Educadigital (2014), o educador atua como designer todos os dias, sempre quando busca encontrar novas formas para ensinar um conteúdo de maneira mais efetiva, utilizando os espaços de sua sala de aula de maneira diferenciada, desenvolvendo novas abordagens para se conectar com pais de alunos ou criando novas soluções para sua escola. Entretanto, o sistema no qual o educador está inserido não é tão ágil e dinâmico quanto às crescentes demandas que surgem no contexto educacional.

Para encarar esses desafios de maneira diferente, Instituto Educadigital convida os educadores a experimentarem como o design thinking pode dar outra perspectiva ao trabalho de educar. Essa discussão se desencadeou no Brasil quando o Instituto Educadigital, em visita à IDEO, em 2013, obteve autorização para traduzir e adaptar a obra Design Thinking for Educators. O trabalho da IDEO, totalmente pensado para a escola, a sala de aula e a comunidade do entorno, inspirou o Instituto Educadigital que lançou o manual Design thinking para educadores. A obra tem o objetivo de disseminar a prática do design thinking em todas as escolas e instituições de ensino do Brasil.

Em sua proposta metodológica, o Instituto Educadigital apresenta cinco fases para a utilização do design thinking no contexto educacional: descoberta, interpretação, ideação, experimentação e evolução. Na Figura 1 tem-se o modelo do Instituto Educadigital (2014) sumarizado:

Figura 1: Modelo de Design Thinking para a educação

 

 

 

 

 

 

 


Figura 1: Modelo de Design Thinking para a educação
Fonte: Instituto Educadigital (2014)

A primeira fase descrita pelo Instituto Educadigital é a descoberta. São as descobertas que propiciam o surgimento das ideias. Para que seja possível criar soluções significativas para os desafios dos estudantes, dos familiares, dos professores e dos gestores é necessário um profundo entendimento de suas necessidades. Significa estar aberto a novas oportunidades, inspirar-se e criar novas ideias. O momento da descoberta tem o intuito de observar e coletar dados, conhecer o problema, o grupo e o contexto que será trabalhado. Nessa etapa, os professores podem formar uma base sólida e rica de informações para a composição de ideias, determinando a compreensão dos objetivos de ensino, o tipo de levantamento de conteúdos já presentes e suficientes para que o grupo alcance os objetivos traçados e, por meio dos dados coletados, brotem inspirações para a criação.

A interpretação, segunda fase, transforma as histórias descobertas em insights valiosos. As observações feitas na fase anterior, as visitas de campo e até as simples conversas podem gerar ótimas inspirações. Neste momento de interpretação é preciso encontrar significados para as inspirações, bem como transformá-los em oportunidades de ação. É um momento de seleção e condensação de pensamentos, buscando encontrar um ponto de vista convincente e uma direção clara para a fase de ideação.

A terceira fase é a ideação, ou seja, a geração de várias ideias. Neste momento, o brainstorming pode encorajar os estudantes a pensarem de forma expansiva e sem amarras. Segundo o Instituto Educadigital, as ideias mais ousadas, na maioria das vezes, são as que mais desencadeiam pensamentos visionários. É preciso que haja uma preparação cuidadosa e um conjunto de regras claras para que a sessão de brainstorming tenha sucesso.

A fase da experimentação é o momento em que as ideias ganham vida. Nessa quarta fase, buscam-se construir protótipos que vão tornar as ideias tangíveis. Os estudantes aprendem enquanto passam pela experiência de construir o protótipo e principalmente quando constroem juntos, dividindo a experiência com outras pessoas. Por meio da prototipação, os alunos aprendem como melhorar e refinar uma ideia.

O quinto e último passo é a evolução, ou seja, o desenvolvimento temporal do conceito construído. Nesse momento do design thinking na educação, buscam-se planejar os próximos passos, comunicar a ideia às pessoas que podem te ajudar a realizá-la e documentar o processo. A evolução pressupõe constante acompanhamento dos resultados obtidos.

REFERÊNCIAS

IDEO. Human Centered Design Toolkit, 2009. Disponível em: http://www.ideo.com/work/human-centered-design-toolkit.

INSTITUTO EDUCADIGITAL. Design thinking para educadores. 2014. Disponível em: http://www.dtparaeducadores.org.br/site/?page_id=281.