A nova economia – uma expressão que teve sua origem nos anos 90, juntamente com o crescimento das empresas .com – identifica a “transição” de uma economia baseada na indústria para uma economia baseada nos serviços. Embora não tenha cumprido todas as expectativas dos economistas e analistas naquele momento, resultou em uma grande transformação, alterando a dinâmica da economia global e redirecionando o empreendedorismo e a inovação.

A questão é as estratégias e consequentemente os modelos de negócio que dão sustentação a esses empreendedores e inovações mudaram também?

Quando buscamos as referências teóricas de administradores que atuaram de forma mais efetiva em tempos de economia baseada na indústria, encontramos “a vantagem única”, ou seja, oferecer algo que só sua empresa, produto ou serviço, possa oferecer, como sendo um importante ponto da definição da estratégia.

O desenvolvimento de novas tecnologias, advindas desse processo, gerou alterações sociais. O conceito de rede ultrapassou a conectividade da internet e das .com e trouxe uma realidade: a economia colaborativa. A posse vai transferindo seu valor para o acesso. Em uma realidade com tantas mudanças, o ter assume caráter obsoleto e temporário. Estar consciente para saber o quê e onde buscar o que se precisa, pelo tempo que se precisa é considerado mais sustentável, inteligente e de maior valor.

Frente a essa nova realidade, novos autores apresentam novas possibilidades como Rita Gunther McGrath que em sua obra, O Fim da Vantagem Competitiva, Um Novo Modelo de Competição Para Mercados Dinâmicos, afirma que não existe mais espaço para a vantagem competitiva, pois a vantagem é temporária e o caminho é a inovação e a estratégia alinhadas.

“A suposição de vantagem sustentável cria uma tendência à estabilidade que pode ser fatal”, alerta Rita Gunther McGrath.

A força e as mudanças que a inovação e o empreendedorismo trouxeram para os mercados têm intensidade e unanimidade distinta das estratégias e modelos negócio. Ainda mais quando confrontamos a Inovação com o Capital. Podemos confirmar isso no embate público travado entre Elon Musk, CEO da Tesla e Warren Buffett, considerado o mais bem-sucedido investidor do século XX, conhecido como o Oráculo de Omaha.

Buffet acredita e afirma que produtos e serviços que valem investir são os que têm vantagem única. Ele os chama de fosso, fazendo alusão ao fosso usado em castelos medievais como barreira de defesa. Para ele um negócio que tenha vantagens competitivas é ainda o melhor caminho para o retorno financeiro.

“Se a sua única defesa contra os exércitos invasores é um fosso, você não vai durar muito tempo”, disse Musk ao comentar sobre a vantagem única. Fez essa referência clara ao fosso, quando foi questionado sobre sua decisão de abrir algumas patentes e permitir a utilização dos postos de recarga. Essa posição reforça uma estratégia e um modelo de negócio em que a vantagem competitiva está na capacidade de inovar e não em seus ativos.

Musk vai além ao afirmar: “dizer que você gosta de ‘fossos’ é apenas uma maneira legal de dizer que você gosta de oligopólios.”

Muito além do certo ou do errado, essa discussão reforça uma pauta muito importante para um mercado borbulhante de empreendedorismo e inovação. Precisamos falar sobre modelos de negócio.